sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Às vezes eu queria não sentir. Que mal tem jogar um pouco de sentimento pela janela? Ou guardá-los naquela gaveta velha de meias, onde papai cisma em deixar uma caneca de café frio. O peito dói, meu pequeno. E inevitavelmente, seu rosto me vem na memória sempre que leio ”Madame Bovary”. Sempre tentei desviar, pensar em flores ou campos. Ah, meu pequeno, o mundo era tão florido antes de você ir embora. Eu volto a me perguntar: Que mal tem em jogar um pouco de sentimento fora? Eu preciso me libertar, preciso deixar de ser tão sua. Ou você me abre um espaço nessa sua vida corrida ou me devolva as chaves dessas malditas algemas.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Saudade
E de novo a mesma música. Ela até está programada para repetir sozinha. O mesmo lápis esfumaçado, o mesmo caderno velho e fino. A mesma inspiração de sempre; nenhuma. A mesma falta de amor, o mesmo rancor. O mesmo dia monótono, aliás, todos tem sido iguais. A mesma caneca de café em cima da mesa da sala, a mesma macha escura deixada por ela na capa do caderno velho. Os mesmos pensamentos maldosos. A mesma vontade estonteante de gritar. O estar dos ponteiros está me enlouquecendo. Só não enlouquece mais, do que a falta que eu sinto de você.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Menino moço
De retalhos fez-se o menino. Menino de ouro. Menino bordado de amor. Menino da alma de flor. Esse menino moço, menino que ganha, assanha, ama. Menino do ombro estendido, amigo, querido, bem-vindo. Menino dos olhos brilhantes, menino de fé, menino de largo coração. Menino do sorriso bonito, da alma bonita, do peito bonito. Menino moço, menino que me abre as portas do entendimento, menino de toda a inspiração. Meu doce, meu mimo, minha canção.
Meu menino
O menino nascido do mato, de olhos grandes e devoradores. Meu bem, meu doce, meu sonho. Vem em paz, rouba-me os sorrisos, trás-me o desejo. Meu dengo, meu chame, meu mimo. Dos cabelos negros fez charme, dos lábios carnudos a vontade, o anseio. Meu lindo, meu vicio, meu menino. Do coração domado fez-se o amor. Fez-se a casa. Fez-se a vida.
Tua
Lembre-se de mim,
nos sonhos,
nos dias frios,
nos outonos.
Reviva-me na tua memória.
Faça-me tua musa, tua inspiração, tua vida.
Não me deixe ir, menino.
Segura-me pelos pulsos.
Faça-me tua.
Viva-me em ti.
nos sonhos,
nos dias frios,
nos outonos.
Reviva-me na tua memória.
Faça-me tua musa, tua inspiração, tua vida.
Não me deixe ir, menino.
Segura-me pelos pulsos.
Faça-me tua.
Viva-me em ti.
Flor rara e delicada
Flor rara e delicada essa menina.
De tão quieta, doce, pura.
De tão amada, tornou-se rio transbordante de alegria.
Minha musa, vida minha.
Flor rara e delicida essa menina.
Me vira, me pira, me fascina.
Me ganha, me assanha, me arranha.
Flor rara e delicada,
vida, bem-vinda, viva dentro de mim.
De tão quieta, doce, pura.
De tão amada, tornou-se rio transbordante de alegria.
Minha musa, vida minha.
Flor rara e delicida essa menina.
Me vira, me pira, me fascina.
Me ganha, me assanha, me arranha.
Flor rara e delicada,
vida, bem-vinda, viva dentro de mim.
E tu menino.
E tu menino.
Tu que é o dono dos mais saborosos sorrisos meus.
E tu menino.
Tu que tem minha alma na palma de tuas mãos.
E tu menino.
Tu que me enche de luz, me cobre de amor.
E tu menino.
E tu.
Que é a minha poesia, a minha fascinação.
Tu que é o dono dos mais saborosos sorrisos meus.
E tu menino.
Tu que tem minha alma na palma de tuas mãos.
E tu menino.
Tu que me enche de luz, me cobre de amor.
E tu menino.
E tu.
Que é a minha poesia, a minha fascinação.
Eu sou o rio.
O meu coração é um rio cumprido. As correntezas sempre foram fortes demais. Vivi perigosamente entre os mais temíveis animais. Até que veio a seca. E o mu coração secou, os sentimentos secaram, a vida secou. Até que num começo de dia, prazerosamente mandaram uma chuvinha pra dentro de mim. E tudo voltou a ser como antes. Menos os animais, esses já não me perturbam mais. E a água que vai fluindo vai levando tudo embora.
Alço velas e vou para longe.
Voei para longe no intuito de curar minhas feridas. Sou homem falho, caí e não tenho forças para levantar. Vou para longe, rasguei a caminha manchada de dor, peguei meu barquinho para navegar nessa imensidão azul. Talvez eu volte curado. Alço velas e vou para longe.
Carta para um leitor que nunca me lê.
O ano começou chuvoso e gélido. Diferente dos outros, escolhi ficar em casa. Trancafiei-me em meu refúgio – que mais parece prisão, e de lá vi os fogos. Amontoado de cores, azul, vermelho, verde, amarelo, branco. Eram prazerosos de se ver. Meus olhos perdidos viajavam dentre as cores daquela imensidão azul-escuro. Algo tão belo, porém tão vazio. Foram apenas quinze minutos, um beijo na testa vindo de mamãe, o barulho do estouro do espumante, taças cheias, casa vazia. Nem um contato, nem uma ligação. Desejar que o vento leve-te meus votos de felicidade e prosperidade é vago demais. Bom mesmo foi ficar imaginando um abraço teu, seguido de um sorriso que de tão resplandecente, chega a cegar-me. Mais um ano, mais rugas, mais perguntas sem respostas, mais incógnitas. A vida é uma incógnita. Um papel em branco, um lápis surrado, um peito cheio de sentimentos. Sentimentos esses que me trazem as lembranças suas, cujas me esforço para esquecer. Escrever-te-ei numa imensidão azul, sentimentos pontilhados de amarelos e borrões cor de ouro. Fujas para o refúgio no qual te ensinei o caminho. Minhas palavras são todas tuas. Feitas para que um dia você leia-as, me leia.
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