terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Carta para um leitor que nunca me lê.
O ano começou chuvoso e gélido. Diferente dos outros, escolhi ficar em casa. Trancafiei-me em meu refúgio – que mais parece prisão, e de lá vi os fogos. Amontoado de cores, azul, vermelho, verde, amarelo, branco. Eram prazerosos de se ver. Meus olhos perdidos viajavam dentre as cores daquela imensidão azul-escuro. Algo tão belo, porém tão vazio. Foram apenas quinze minutos, um beijo na testa vindo de mamãe, o barulho do estouro do espumante, taças cheias, casa vazia. Nem um contato, nem uma ligação. Desejar que o vento leve-te meus votos de felicidade e prosperidade é vago demais. Bom mesmo foi ficar imaginando um abraço teu, seguido de um sorriso que de tão resplandecente, chega a cegar-me. Mais um ano, mais rugas, mais perguntas sem respostas, mais incógnitas. A vida é uma incógnita. Um papel em branco, um lápis surrado, um peito cheio de sentimentos. Sentimentos esses que me trazem as lembranças suas, cujas me esforço para esquecer. Escrever-te-ei numa imensidão azul, sentimentos pontilhados de amarelos e borrões cor de ouro. Fujas para o refúgio no qual te ensinei o caminho. Minhas palavras são todas tuas. Feitas para que um dia você leia-as, me leia.
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